Árvore e Fotografia, uma metáfora sobre memória

[A Fotografia] é um registro de um acontecimento, lugar de memoria, de lembranças. Tal como uma árvore, com seu aspecto fragmentário, seus ramos nos remetem a relações com o passado e também com o presente. Nos sugerem revelações e questões sobre nossa história. Como um arqueólogo, ao procurar por esses registros, desenterro um passado, que estava soterrado, como raizes. Esse olhar, essa inquietude que uma foto produz, simboliza a nossa vida, com pessoas e lugares que tivemos relação, mas vivemos `a sua sombra.

Os álbuns que possuimos são testemunhos dessa história, desses registros e muitas vezes não nos damos conta de sua riqueza. É uma investigação constante, e a cada foto, um caminho com escaladas difíceis, mas ao final, a conquista para uma narrativa de compreensão da realidade, como a solução de um mistério. A suposta cisão temporal entre o passado e o futuro, é atenuada pelo gesto da semeadura, que antecipa o renascimento das raízes, e proporciona a continuidade dessa memória, pelo ato de contar a cada folhear do álbum.

Muitas pessoas, não tem uma relação postiva com estes álbuns e os descartam como uma forma de apagar seu passado, Na época de Vasco da Gama, os negros capturados, antes de embarcarem nos navios negreiros, tinham que passar por um ritual da “árvore do esquecimento” dando voltas ao redor desta árvore para esquecer de suas raizes africanas, e com isso, se adaptarem melhor nos seus locais de destino. Hoje ainda se encontram vestígios deste ritual em algumas comunidades africanas. Muitos acreditam que se derem 3 voltas ao redor dessa

árvore, perdem a memoria e ganham anistia. Quem não tem passado não pode ser responsabilizado.

O lugar da memória não é o passado que está preservado na representação, mas o presente, quando o espectador olha a imagem. A fotografia possibilita recortes precisos, congela um tempo que, com o passar do tempo, retorna apenas nos sonhos, imaginação e memória. Uma fotografia leva a processar as próprias lembranças ao rememorar momentos e espaços que, além de não estarem mais presentes, nunca nos pertenceram de fato.

Podemos entender que fotografia cria passados, tantos quantos forem os seus leitores.

 obeliscoFoto Obelisco – Série : Ao Redor – Mirian Guimarães

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